Lei alemã irá permitir a espionagem de suspeitos no whatsapp

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Foi aprovada uma lei pelo parlamento alemão, que autorizam os policiais com mandato judicial, de implantarem um sistema que permite fazer uma escuta em telefones móveis de pessoas, que são suspeitas de atividades ilegais e terrorismo, monitorando assim, diálogos em aplicativos de mensagens.

O ministro do interior, Thomas de Maizière, defende a lei que estabelece o combate ao terrorismo, sendo incluída também, a utilização de softwares que reconhecem imagens e que podem aumentar a coleta de impressões digitais de pessoas suspeitas e imigrantes, e também de crianças com até seis anos de idade.

Integrantes de organizações em defesa dos direitos civis, participaram de protestos, declarando que essas recentes medidas seriam um risco para as outras pessoas que estão fora desses grupos, de terem sua privacidade comprometida, além de ferir a Constituição alemã. Hans-Christian Ströble, integrante da Comissão de Justiça do Parlamento e do Partido Verde, afirmou que a Corte Constitucional teria estabelecido várias regras para essa lei, e que não estão sendo cumpridas.

A Alemanha conseguiu encontrar uma saída técnica parecida com a que era utilizada pela CIA (Agência Central de Inteligência), revelada pelo Wikileaks . No lugar de quebrar os códigos utilizados para misturar o conteúdo, ou o sistema de criptografia das mensagens antes delas serem transmitidas, a polícia precisará invadir os aparelhos móveis das pessoas suspeitas, e implantar um tipo de vírus, chamado de Cavalo de Troia, conhecido por ser capaz de capturar as mensagens durante a sua digitação.

Essa característica é de extrema importância, já que não promove uma invasão em massa, como o que foi descrito no caso de Edward Snowden, no ano de 2013. Os documentos que foram roubados por Snowden da NSA ( Agência Nacional de Segurança), mostravam um sistema de coleta de informações em todas as companhias do segmento de telecomunicação e provedores, que prestavam serviços de internet.

Sob autorização judicial, o Cavalo de Troia passa a atuar em dispositivos específicos, funcionando como um programa espião. Alguns dos maiores especialistas como Tarah Wheeler, da Symantec e o decano Steven Bellovin, da Universidade Columbia, em segurança da informação, estão certos de que a partir da divulgação do Wikileaks, essa é uma saída razoável entre a obrigatoriedade da realização de investigações e a preservação da privacidade.

Dúvidas técnicas ainda existem, podendo fazer com que ela se torne improdutiva, ou ainda ocasionar problemas maiores do que aqueles para a qual, esses sistemas foram usados para resolver. O Wikileaks mostrou documentos nos quais a criptografia utilizada por softwares como o WhatsApp ou Telegram, que é o mais usado pelo Estado Islâmico, são seguros. Mas nos dispositivos móveis, os sistemas operacionais não têm a mesma segurança, com o software básico, iOS ou Android, em que todos os demais precisam para ter o seu funcionamento.

Ainda existem as batalhas sem fim, entre os desenvolvedores das empresas e dos hackers. Em cada falha descobertas por esses últimos, os primeiros acabam desenvolvendo um reparo para consertá-la. Existe uma falha que ainda não foi encontrada, chamada de “falha de dia zero”, que aparece como um graal para aqueles que pretendem invadir os sistemas, e introduzir vírus ou ainda Cavalos de Troia. Eles conseguem mantê-los enquanto o reparo não é feito, começando daí ela será conhecida pela quantidade de dias após o reparo.

Segundo o WikiLeaks, a CIA tinha o hábito de utilizar as falhas de dia zero, para fazer espionagem. Quando a Apple ou o Google reparavam seus sistemas, eles procuravam outro buraco para conseguir entrar neles. Na recente lei alemã, fica claro que as companhias digitais, vão precisar auxiliar as autoridades, ante o mandato judicial, ocorrendo com isso, a necessidade de deixar que “invasões controladas” sejam feitas.