Maioria dos brasileiros tem dificuldade de economizar, diz SPC

Apenas 30% dos brasileiros conseguiram terminar o mês de novembro do último ano com dinheiro sobrando. Mais de 66% dos brasileiros das classes A e B, com renda mensal de cerca de cinco salários mínimos, não conseguiram guardar parte do seu orçamento. Os dados, divulgados no final de janeiro, foram revelados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Considerando todas as classes sociais, somente 20% conseguiram poupar dinheiro, frente a 70% de pessoas que não conseguiram poupar nada. Em relação aos que conseguiram sobras na renda de novembro, a média do valor guardado é de R$ 400,57.

O consumidor deve ter ciência de que controlar seu orçamento pode fazer a diferença no fim do mês. É o que alerta Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, em entrevista à Agência Brasil, onde explica que o ideal não é guardar somente o que resta no final do mês, mas sim reservar sempre uma quantia fixa.

Mesmo assim, a pesquisa indicou que, entre os poupadores, apenas 5% guardam o mesmo valor todos os meses, e cerca de 35% reserva apenas o que sobra após pagar as contas no mês.

Para investir nas sobras do mês, 60% das pessoas preferem utilizar a caderneta de poupança, seguido de 18% que preferem guardar o dinheiro em casa, 13% em fundos de investimento, 10% em previdência privada, 8% em certificados de depósito bancário, 4% no Tesouro Direto e 2% em dólar, apurou o Indicador Mensal de Reserva Financeira.

Dados da pesquisa indicam que quem guarda o dinheiro em casa prefere este método pela liquidez, ou seja, pela facilidade de utilizar este dinheiro quando necessário. A segurança também foi um fator mencionado.

Um pouco mais de um terço das pessoas reservam parte do seu orçamento para suprir eventuais emergências (34%), como uma doença ou morte de um familiar. Para 32%, o objetivo principal é garantir a estabilidade familiar no futuro, 28% para cobrir um eventual desemprego e 11% para garantir tranquilidade na aposentadoria.

Os dados também revelam que quatro (42%), a cada 10 brasileiros com reserva financeira, precisaram retirar parte desses recursos para suprir eventuais contas domésticas (13%) ou dívidas (9%).