Estudo revela que ficar exposto ao ar de São Paulo por duas horas equivale a fumar um cigarro

A poluição do ar na cidade de São Paulo, em locais próximos aos fluxos intensos de veículos por duas horas é o mesmo que fumar um cigarro. Uma pessoa que ficou exposta ao ar dessa cidade por trinta anos, pode apresentar um pulmão equivalente a um fumante, que consumia no máximo dez cigarros diariamente.

Essas informações foram obtidas através de estudos, que têm como objetivo relacionar à exposição da população da cidade com a poluição existente no ar paulista, com as consequências causadas pelo cigarro.

Essa pesquisa é chefiada por Paulo Saldiva, médico patologista, que estuda os corpos levados ao SVO (Serviço de Verificação de Óbitos) e verifica os índices de carbono encontrados em cada pulmão, fazendo ao mesmo tempo um levantamento da vida que a pessoa levava antes de morrer.

Mariana Veras, bióloga da Faculdade de Medicina da USP ( Universidade de São Paulo) que trabalha no Laboratório de Poluição do Ar, explicou que anteriormente em uma necropsia quando os médicos encontravam um pulmão preto, apresentando altos índices de carbono, a conclusão que se chegava era que se tratava de um pulmão de um fumante. Atualmente não é isso que está acontecendo, o que demonstra que  o ar paulista está apresentando altos índices de poluição,  e que estão ocorrendo consequências cumulativas.

Informações dadas pelos parentes próximos estão auxiliando na pesquisa, que visa descobrir qual é a verdadeira realidade das pessoas que estão expostas à poluição do ar da cidade. Todos os dados são importantes, como onde moravam, onde trabalhavam, qual era a duração do percurso no trânsito realizado diariamente, se a pessoa fumava ou se era um fumante passivo.

Segundo Mariana Veras, pessoas que trabalham por exemplo, como guardas de trânsito ou como motoristas de caminhão, ficam muito mais expostos à poluição do que aquelas pessoas que somente ficam expostas, durante o seu deslocamento de casa até o trabalho. Os pesquisadores estão buscando a relação de um pulmão com quantidades altas de carbono, com o seu padrão de vida e o tempo que ele levava no seu deslocamento.

Foram analisados cerca de dois mil pulmões, sendo que 350 deles foram usados para fazer parte desse estudo, já que esses são os que possuem informações mais completas, sobre o dia a dia da pessoa quando ela estava viva.

O estudo está em sua fase final e deve ser concluído em algumas semanas, mas alguns dados foram adiantados por causa da Assembleia das Nações Unidas em razão do Meio Ambiente, em que o tópico é a luta contra a poluição.