Para FMI, crescente endividamento das famílias implicará em crise

Apesar de haver, com o crescente endividamento das famílias de modo geral, um impulsionamento do nosso crescimento econômico, considerando-se a questão a curto prazo, o Fundo Monetário Internacional (FMI), porém, recentemente alertou que isso, já no médio termo, acabará por aumentar o risco de crise financeira, ou seja, algo pior do que enfrentamos no momento. A instituição, no dia 3 de outubro, ainda uma semana antes da sua reunião anual, em Washington, por meio de um informe, observou que continua crescente o processo de “endividamento das famílias, na última década”.

Esse pronunciamento do FMI é fruto, obviamente, de um estudo, que nesse caso focou-se na relação que envolvia essa questão da dívida das famílias com também o crescimento e a estabilidade financeira. Para realizarem o tal estudo, recorreram a uma amostragem de 80 economias não só de países desenvolvidos, mas também algumas de países em desenvolvimento. Entre o primeiro tipo, a fim de exemplificar, podemos citar os países da Dinamarca, Suíça, Austrália e Holanda; entre os países em desenvolvimento, exemplos bons são, nesse caso, a Argentina e o Egito, além da Malásia, Tailândia e Bangladesh.

Voltando-nos para a alegação do FMI que deu início a este texto, vale destacar ainda mais a citação da instituição, de que, apesar de sustentarem a demanda, tanto a dívida das famílias quanto o acesso ao crédito, pode um alto nível de endividamento terminar “gerando desequilíbrios financeiros”, e isso em tom claro de alerta. Afinal, na possibilidade eventual de que a dívida das famílias cheguem a acúmulo de três a cinco anos, isso acabará então pesando sobre o crescimento, e uma vez que ocorra, aumentará-se, por consequência, a probabilidade de uma crise não só financeira, mas também bancária.

E para poder exemplificar melhor, o FMI citou a crise financeira mundial, assim explicando que, em tudo que se eleva o endividamento dos consumidores, cresce então a probabilidade de ter-se “longas recessões”. A instituição lembra ainda que efeitos negativos do tipo, inevitavelmente, serão “mais gritantes” naquelas economias que estão num estágio mais avançado, naquelas “em que a dívida das famílias é mais alta”. Portanto, serão “menos gritantes”, proporcionalmente, as economias dos países emergentes, já que nesses é ainda fraca a “contribuição das dívidas das famílias e do mercado de crédito”, como fizeram questão de destacar.

Após dar várias exemplificações, o FMI terminou por ressaltar a importância de poder-se contar com o que chamou de “instituições sólidas”, além de “políticas adequadas para eliminar este impacto”. Fora isso, a instituição também mostrou-se favorável não só a uma regulamentação financeira, mas a uma “menor dependência de financiamento externo”, como supervisão que seja mais eficaz e taxas de câmbio, por sua vez, flexíveis. Tudo, é claro, unido a uma desejável redução das históricas desigualdades de renda.