Novo ensino médio brasileiro

O Ensino Médio no Brasil vem sendo discutido e debatido, por décadas. Sua reformulação é necessária e urgente. A sociedade exige mudanças sérias e comprometidas aos preceitos educacionais deste novo milênio.

As propostas apresentadas para esta reformulação vão no sentido de profissionalizar os adolescentes, dar-lhes meios de colocação no mercado de trabalho, porém esta não é uma exigência da sociedade e sim do capital o que não é suficiente, pois é preciso oferecer muito mais aos adolescentes do que apenas profissionalização. Autoestima, formação intelectual, preparação psicológica e filosófico-social se revertem em necessidade premente à vida dessa parcela de brasileiros.

Hoje não é incomum ou raro encontrar jovens que já atingiram a maioridade trabalhando em fábricas, lojas ou realizando serviços apenas para que possam subsistir e ajudar financeiramente suas famílias. Esta condição precisa ser expurgada pelos novos métodos de ensino e espera-se que reduza acentuadamente a evasão escolar.

O portal de notícias g1.globo.com em sua edição de 18 de dezembro de 2016, informa que no ano de 2014 apenas 56,7% dos estudantes de Ensino Médio completaram seus estudos até completar dezenove anos de idade. Neste número apresentando existe a agravante de que o universo de 57,6% contempla estudantes de todas as classes sociais. Se o estudo fosse dirigido apenas às escolas públicas certamente o percentual seria bem maior.

Numa projeção simbólica considerando um milhão de estudantes, se apenas 56,7% concluem seus estudos significa dizer que desses um milhão, apenas quinhentos e sessenta e sete mil se formam no Ensino Médio, onde estão e o que fazem os outros quatrocentos e trinta e três mil que abandonaram os estudos? A reposta é simples: trabalhando, subsistindo, ajudando financeiramente as famílias e isso para uma análise otimista, pois muitos deles desviam seus caminhos desvirtuando a conduta e preceitos sociais.

A motivação para o trabalho deve, claro, estar pautada no novo Ensino Médio como está, possibilitando a escolha da carreira, que parece ser o foco principal das novas reformas, porém a reforma necessita ser muito mais abrangente e principalmente contemplar as instituições de ensino também com reformulação tecnológica, profissional e acima de tudo estarem adaptadas às novas tendências do ensino.

O primeiro passo para a reformulação está dado. A reformulação está em curso e assim é preciso torcer para o sucesso das mudanças e acreditar que os estudantes tenham um caminho mais suave e brando para seguir suas jornadas adquirindo conhecimentos e ele próprio reformulando a si e ao seu entorno.