ONU examina influência de combustíveis fósseis no processo de negociações climáticas

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Os ativistas dizem que deve haver um maior escrutínio dos órgãos da indústria que estão envolvidos nas negociações climáticas da ONU. Grupos ambientalistas alegam que as indústrias de combustíveis fósseis estão financiando uma série de empresas e participantes da indústria nestas negociações. Esses grupos devem ser restritos, dizem os ativistas, pois eles dizem que seu objetivo é retardar ou descarrilar o progresso.

Representantes empresariais dizem que a discussão é uma tentativa de censura. Na última reunião em Bonn, a ONU convocou um curso intensivo especial sobre o papel das organizações observadoras que compõem uma proporção significativa dos participantes nestes eventos. Alguns países, incluindo Índia, China, Indonésia e Equador, pedem regras mais claras e mais rígidas em torno de potenciais conflitos de interesse.

Um relatório recente da Corporate Accountability International forneceu detalhes sobre o que o grupo afirma serem as conexões entre indústrias de combustíveis fósseis e organizações não-governamentais de negócios (ONGs) com ligações ao processo de negociações climáticas da ONU.

“Existem mais de 270 ONGs empresariais e industriais credenciadas na UNFCCC”, disse Jesse Bragg, da Corporate Accountability International à BBC News. “Muitos desses grupos representam os interesses das empresas de combustíveis fósseis em todo o mundo.” “O que muitas partes estão dizendo agora é que precisamos dar uma olhada nas vozes que queremos ouvir no processo de tomada de decisões climáticas.”

Quando perguntado quais as diferenças entre a indústria e os grupos verdes que tentam influenciar o processo, o Sr. Bragg disse: “Grupos ambientais representam o interesse público – esses grupos empresariais representam os interesses financeiros de certas indústrias. Fundamentalmente, estamos falando de representar pessoas ou representar lucros”.

Os defensores de regulamentos mais rígidos dizem que o exemplo da Organização Mundial de Saúde é um bom modelo para as negociações climáticas. A indústria do tabaco não está autorizada a fazer parte das negociações relativas ao Tratado Global do Tabaco. No entanto, um dos grupos que tem sido sustentado no relatório como tendo interesses conflitantes tem fortemente rejeitado a ideia de que ele já participou do processo de negociações climáticas da ONU.

A National Mining Association (NMA) é um órgão dos EUA que representa os interesses de mais de 300 empresas e organizações envolvidas na extração de carvão e recursos minerais. “A NMA está registrada como retirada dessas discussões e instando nosso governo a fazer o mesmo”, disse Luke Popovich, vice-presidente da NMA à BBC News. “Estamos listados em um site da UNFCCC como um observador de um depósito há cerca de 10 anos que nunca foi ativado e nunca foi removido do site”.

Popovich também criticou a tentativa de grupos verdes e outros de restringir as organizações que promovem o uso de combustíveis fósseis de ter um papel nas discussões da ONU.