O Brasil pretende aumentar sua produção agrícola utilizando tecnologias para minimizar o impacto ambiental

Resultado de imagem para produção agricola

O que ajuda a lavoura a crescer vem do céu, e não é só a chuva. Os drones fazem aquelas imagens espetaculares, porque conseguem chegar onde é quase impossível. Como no meio de uma lavoura sem pisar em nenhum pé de soja. Os drones são orientados por GPS, o Sistema de Posicionamento Global por Satélite, usam sensores de luz infravermelha para fazer um Raio-X nas plantas a fim de descobrir doenças no lugar exato da lavoura.

Em vez da mão calejada pela inchada, o agricultor agora precisa de sensibilidade nos dedos. Por isso, o serviço nacional de aprendizagem rural criou o curso de piloto de drone. A engenheira agrônoma, Luana Belusso explica: “Eu quero utilizar essa tecnologia que é a questão de imagem, para nós verificarmos a questão de pragas, questão de infertilidade de solo, mancha de solo. Nós conseguimos agir em tempo de reverter um possível problema.”

Tem pessoas que sonham em dirigir veículos caros e os maquinários como a colheitadeira, custa em média R$ 1,5 milhão. Não precisa nem saber dirigir, pois o GPS faz tudo sozinho. É como um carro de luxo. Ar-condicionado, rádio, frigobar e painel touch screen. Controle da colheita na ponta dos dedos.

“Isso aqui eu me refiro como se fosse uma verdadeira indústria ambulante. Ela é capaz, durante o movimento dela, de cortar o pé de soja, recolher, e colocar nas esteiras. Ela também é responsável por passar para dentro da máquina, separar a vagem, e todo material de soja do grão. Após isso, ela ainda consegue colocar em cima do caminhão e oferecer informações sobre a quantidade e o local onde retirou essa soja”, diz o agricultor, Marcelo Fernando Vankevicius.

Tudo é medido e calculado para que cada planta produza mais e não haja desperdícios. É a chamada agricultura de precisão. O drone mostra do alto uma plantação milimetricamente perfeita. Resultado de tecnologia e conhecimento. Em grande parte, foi desenvolvido pela Embrapa, uma empresa pública criada há mais de 40 anos. A empresa foi responsável por desenvolver sementes adaptadas ao nosso clima e transformar em produtivo o solo do cerrado considerado pobre. No Rio Grande do Sul a produtividade também aumentou. Na fazenda de arroz em São Sepé eram colhidos nove mil quilos por hectares há 35 anos quando a família começou na plantação. Hoje são 15 mil, bem acima da média do mercado.

O engenheiro agrônomo, William Schroder diz: “Hoje a gente está vivendo numa era eletrônica que também é fundamental no processo da lavoura.”

O crescimento da agricultura teve muitas polêmicas. O uso de agrotóxicos mais do que dobrou em uma década, junto ao plantio de sementes transgênicas. 95% da soja e 87% do milho são produzidos a partir de sementes geneticamente modificadas. De um lado a agricultura e a pecuária, do outro, a área mais escura, a mata nativa. Uma vizinhança cheia de conflitos. Conforme a fronteira avançou a floresta perdeu terreno. Existem lugares próximos das lavouras que são uma espécie de oásis. Uma reserva florestal cheia de animais selvagens, capivaras, onças. O Brasil quer aumentar a produção de alimentos. Será possível fazer isso sem que lugares como este desapareçam da paisagem?

Segundo o gerente do Jotabasso Sementes, Tages Martinelli é possível. “Nos últimos 20 anos nós aumentamos em mais de 50% da nossa produção na mesma área de agricultura, preservando a reserva próxima, preservando o meio ambiente”.

O desmatamento era muito alto até 2004 quando uma área da Amazônia equivalente ao estado de Alagoas sumiu naquele ano. A derrubada de árvores caiu nos anos seguintes por causa de iniciativas como o Plano de Prevenção de Controle do Desmatamento do governo, e a Moratória da Soja, um acordo com grandes empresas para não comprar soja plantada de áreas desmatadas. Mas a derrubada da floresta voltou a crescer nos últimos dois anos.

Segundo Paulo Adario, especialista em floresta do Greenpeace, a situação preocupa. “O farol vermelho se acendeu de novo na Amazônia. Além disso, há o desmatamento invisível e que precisa entrar nas estáticas brasileiras do cerrado. O desmatamento do cerrado está chegando de 6 a 7 mil quilômetros por ano junto com a Amazônia e voltou a entregar ao Brasil a taça de campeã mundial do desmatamento.”

 

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